Crítica de filme: Pare Com Suas Mentiras
Pare Com Suas Mentiras (Arrête Avec Tes Mensonges). Direção:
Olivier Peyon. Roteiro: Olivier Peyon, baseado no romance de Philippe Besson.
Com: Guillaume de Toquédec, Victor Belmondo, Guilaine Londez, Jérémy Gillet e
Julien De Saint Jean. Drama. 2022.
Escritor gay retorna à cidade onde nasceu para ser
homenageado. Lá relembra seu primeiro amor, quando tinha 17 anos.
Quando o escritor Stéphane Belcourt aceita voltar depois de
vinte e tantos anos à pequena cidade de Cognac, sabe que terá que lidar com seu
passado. A causa do retorno é boa: ele será homenageado pela prefeitura local,
graças a romances de sucesso. Mas isso significa também relembrar uma antiga
paixão, entre ele e Thomas, ambos com 17 anos em 1984. Essa paixão influenciou
muito seus escritos – suas histórias – e ainda hoje traz mais perguntas que
respostas. Encontrar respostas, revisitando o passado: é sobre isso o filme.
Porém nada é maniqueísta, pois falamos de pessoas,
sentimentos, de ser gay em 1984, que é, convenhamos, muito diferente de o ser
hoje, pelo menos no Ocidente. Entre o presente e flashbacks do passado, o
roteiro fornece pequenas pistas que levam a revelações maiores, ao seguir a
jornada atual e pretérita de um homem que nunca esqueceu seu primeiro amor e,
também, nunca de fato o entendeu.
Algumas vezes a direção mostra o jovem e o atual Belcourt lado
a lado, num mesmo plano, numa ideia positiva, que é dizer da importância
daquilo que lembramos. Stéphane Belcourt nunca deixou de retratar em seus
livros, ainda que indiretamente, Thomas. Seu parceiro permanece tão longe, tão
perto, ora a uma lembrança distante, ora bem ali, do lado. Depende de onde
esteja e do estado de espírito.
A presença do jovem e enigmático guia de excursão Lucas (Victor Belmondo, neto de Jean Paul) aumenta a intensão da experiência para Belcourt.
Sobre escrever, saber viver, lidar com preconceitos internos e
externos, aceitar a própria sexualidade, nos belíssimos campos da zona rural da
França só ampliam a delicadeza que textos de retorno ao idílico trazem. Estamos
na terra do conhaque, afinal (Cognac). Sua beleza captada nas câmeras valoriza
os sentimentos despertados nos personagens e, por que não, no espectador.
Cotação: «««
(l - Ruim; «- Regular; ««- Bom; «««- Muito bom; ««««- Ótimo; «««««- Excelente)


Nenhum comentário:
Postar um comentário