Crítica de filme: Clube dos Vândalos
The
Bikeriders. De Jeff Nichols. Com Jodie Comer, Tom Hardy e Austin Butler. Drama.
116 min.
Começo, meio e fim de clube de motoqueiros norte-americanos, entre o fim dos 60 e início dos 70.
Nos
anos 60 do século passado a historiografia aponta a “contracultura”, cujos
símbolos são o jeans, o rock and roll, a rebeldia estudantil, os hippies, a
liberação sexual, o feminismo, a luta pelos direitos civis nos Estados
Norte-Americanos onde se praticava a segregação racial contra afrodescendentes,
etc. Coisas que as gerações millenial e Z acham naturais, normais, tiveram gestação
antiga e possuem todo um contexto histórico.
Se atualmente a maioria das pessoas que dirige motos o faz por economia – as motocicletas são bem mais baratas que um carro e de menor custo de manutenção – e para driblar engarrafamentos, nos anos 60 e 70, nos Estados Unidos, pilotar moto era associado à rebeldia, a querer ser livre, a não ter amarras, a ser arruaceiro. Os clubes de motoqueiros, assim, formavam um dos elementos de contestação de tudo isso que viria a ser rotulado como contracultura ao tradicional - família, trabalho e religião como únicas bases da sociedade.
É
aí que pessoas que não se encaixavam no “american way of life” ou foram dele
extirpados, encontravam refúgio. No “Clube dos Vândalos” motoqueiros de Harley-Davidson
e assemelhadas e motos customizadas se reúnem para beber, passear de moto, infringir
leis de trânsito e, porque não, arrumar confusão. O clube é fundado depois do
surgimento do agrupamento, tendo Johnny (Tom Hardy) como presidente.
Embora
a palavra “refúgio” denote um lugar tranquilo, isso não se aplica ao “Clube dos
Vândalos”, no sentido usual que se tem do termo. À mesma coisa se diz de seus “piqueniques”
regados a álcool, cigarro. Nada de “A Noviça Rebelde”. O espectador perceberá isso
desde a primeira cena, em que Benny (Austin Butler), envolve-se numa briga de
bar por recusar tirar a jaqueta do clube.
A
narrativa se baseia no relato que Kathy (Jodie Comer, muito boa em cena),
esposa de Benny, dá a um rapaz que estuda o movimento. Por ela sabemos quem é
quem, como tudo começou, tanto pelo olhar feminino, quanto pelo de um estudioso.
O elenco, em geral, é muito bom. O trio Tom Hardy, Austin Butler e Jodie Colmer está particularmente fantástico. Se houvesse uma categoria do Oscar para “melhor elenco”, certamente “Clube dos Vândalos” estaria indicado.
Aos poucos o filme deixa entrever seus personagens, suas relações de amizade, afeto, companheirismo e pertencimento ou despertencimento.
O
“Clube dos Vândalos” vê em poucos anos seu início, expansão para outros estados
e declínio. As relações humanas brutas, duras, mas verdadeiras, cedem aos
poucos, à criminalidade. Nesse aspecto da contracultura vai conhecendo sua
ressaca. O sonho, a miragem, choca-se com a realidade daquilo que foi construído
aos poucos e vai-se desvanecendo. Então o choro de um dos principais personagens,
ao fim, fará sentido.
Cotação:
«««
(l
-
Ruim; «- Regular; ««- Bom; «««- Muito bom; ««««- Ótimo; «««««- Excelente)

