domingo, 7 de julho de 2024

Clube dos Vândalos

 Crítica de filme: Clube dos Vândalos

 

The Bikeriders. De Jeff Nichols. Com Jodie Comer, Tom Hardy e Austin Butler. Drama. 116 min.

 

Começo, meio e fim de clube de motoqueiros norte-americanos, entre o fim dos 60 e início dos 70.


Nos anos 60 do século passado a historiografia aponta a “contracultura”, cujos símbolos são o jeans, o rock and roll, a rebeldia estudantil, os hippies, a liberação sexual, o feminismo, a luta pelos direitos civis nos Estados Norte-Americanos onde se praticava a segregação racial contra afrodescendentes, etc. Coisas que as gerações millenial e Z acham naturais, normais, tiveram gestação antiga e possuem todo um contexto histórico.

Se atualmente a maioria das pessoas que dirige motos o faz por economia – as motocicletas são bem mais baratas que um carro e de menor custo de manutenção – e para driblar engarrafamentos, nos anos 60 e 70, nos Estados Unidos, pilotar moto era associado à rebeldia, a querer ser livre, a não ter amarras, a ser arruaceiro. Os clubes de motoqueiros, assim, formavam um dos elementos de contestação de tudo isso que viria a ser rotulado como contracultura ao tradicional - família, trabalho e religião como únicas bases da sociedade.


É aí que pessoas que não se encaixavam no “american way of life” ou foram dele extirpados, encontravam refúgio. No “Clube dos Vândalos” motoqueiros de Harley-Davidson e assemelhadas e motos customizadas se reúnem para beber, passear de moto, infringir leis de trânsito e, porque não, arrumar confusão. O clube é fundado depois do surgimento do agrupamento, tendo Johnny (Tom Hardy) como presidente.

Embora a palavra “refúgio” denote um lugar tranquilo, isso não se aplica ao “Clube dos Vândalos”, no sentido usual que se tem do termo. À mesma coisa se diz de seus “piqueniques” regados a álcool, cigarro. Nada de “A Noviça Rebelde”. O espectador perceberá isso desde a primeira cena, em que Benny (Austin Butler), envolve-se numa briga de bar por recusar tirar a jaqueta do clube.

A narrativa se baseia no relato que Kathy (Jodie Comer, muito boa em cena), esposa de Benny, dá a um rapaz que estuda o movimento. Por ela sabemos quem é quem, como tudo começou, tanto pelo olhar feminino, quanto pelo de um estudioso.

O elenco, em geral, é muito bom. O trio Tom Hardy, Austin Butler e Jodie Colmer está particularmente fantástico. Se houvesse uma categoria do Oscar para “melhor elenco”, certamente “Clube dos Vândalos” estaria indicado.

Aos poucos o filme deixa entrever seus personagens, suas relações de amizade, afeto, companheirismo e pertencimento ou despertencimento.

O “Clube dos Vândalos” vê em poucos anos seu início, expansão para outros estados e declínio. As relações humanas brutas, duras, mas verdadeiras, cedem aos poucos, à criminalidade. Nesse aspecto da contracultura vai conhecendo sua ressaca. O sonho, a miragem, choca-se com a realidade daquilo que foi construído aos poucos e vai-se desvanecendo. Então o choro de um dos principais personagens, ao fim, fará sentido.

 

Cotação: «««

(l - Ruim; «- Regular; ««- Bom; «««- Muito bom; ««««- Ótimo; «««««- Excelente)



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Clube dos Vândalos

  Crítica de filme:  Clube dos Vândalos   The Bikeriders. De Jeff Nichols. Com Jodie Comer, Tom Hardy e Austin Butler. Drama. 116 min. ...