De Repente Drag
De
Rafaela Gonçalves. Com Ruan do Vale, Brenna Maria, Frimes, Luana Granda, Mônica
Moretti, Al Danuzio e Silvero Pereira. Comédia.
Jornalista
hetero começa a se apresentar como drag queen para investigar caso.
Produção
maranhense que impressiona pela qualidade técnica, mas que não vai além disso: roteiro
e direção são limitados.
Nela,
Julião (Ruan do Vale) é um repórter fracassado cujo ápice da vergonha se dá
entrevistando um senhor numa cadeira de rodas, na fila dum posto de saúde. O
cadeirante reclama do péssimo atendimento e levanta-se indo embora, fazendo o
repórter virar motivo de piada.
(situação
real aconteceu com o repórter da TV Mirante Douglas Pinto, que entrevistava um
cadeirante que não conseguia ônibus adaptado e que, por algum motivo – ou
milagre - saiu caminhando no meio da entrevista).
Cansado
de pagar mico e ser escalado para matérias bobas, Julião e a amiga de trabalho
Yasmin acidentalmente cruzam com Lohanny, drag queen vítima de tráfico de
pessoas visando prostituição. Os dois passam a investigar o esquema de olho num
furo de reportagem que alavanque suas carreiras. Mas, para o plano dar certo, Julião
precisa se transformar numa drag e vencer um concurso.
É
aí que o hetero nerd/geek passa a conhecer de verdade os mundos LGBTQIA+ e
drag. O filme então mostra ao espectador, em tons pedagógicos, coisas como dois
homens se beijando, duas mulheres se apaixonando, uma explicação da sexualidade
de uma bissexual etc. Lembra-nos também que uma drag queen é um personagem, que
não se confunde com a pessoa por trás dela. E que homens heteros, casados e com
filhos podem ser drag queens, como conta a drag Pepita Ruiz, interpretada por
Silvero Pereira, que faz participação especial.
Esse
didatismo do filme se sobrepõe, na medida em que não aprofunda a estória,
apenas a arrasta. Enjoam os lamentos e reclamações da conversão do personagem
principal em drag e uma cena bem tosca, envolvendo Julião e Pepita Ruiz, soa
forçada e didática como telenovela ao mostrar a homofobia dum estereotipado
machão.
Ora,
a homofobia não está só nos homens machistas, está em várias classes, gêneros
etc.
As
investigações envolvendo tráfico de pessoas, prostituição e a agência de drags
ficam relegadas a segundo plano. O personagem de Silvero Pereira some da
película, não aparece mais, fica estranho, sem explicação, pois aparentemente
teria uma importância na trama. O que mais preenche a projeção são performances
de drag queens que, se de início trazem interesse, cansam pelas repetições
(exceção à impagável Mia Cara de Gato) e pela pouca versatilidade nos planos e
enquadramentos de filmagem. Fora do show, as drags não fogem da caricatura,
repetindo closes, gírias e caras e bocas. Sobram palavras, faltam ações: Julião
a certa altura diz mais ou menos que se sente mais forte e poderoso como
“Kimberly”, mas fica só no dizer... porque o roteiro não dá a isso
consequências.
Vai
chegando o clímax e aumenta a sensação de que a roteirista e diretora Rafaela
Gonçalves perdeu o controle da obra. E se já dava para pressentir, fica a
certeza de que a conclusão não será satisfatória.
Ainda
que cheio de falhas, “De Repente Drag” é melhor que muita coisa que vem sendo
lançada no streaming.
Cotação: «
(l - Ruim;
«-
Regular; ««- Bom; «««- Muito
bom; ««««- Ótimo;
«««««-
Excelente)
fiquei interessada, não vi a informação onde assistir
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