Crítica de filme: Furiosa: Uma Saga Mad Max
Furiosa:
A Mad Max Saga (2024). De George Miller. Com Anya Taylor-Joy e Chris Hemsworth.
Ação/Aventura. 148 min.
Num
futuro pós-apocalíptico, garota é sequestrada por senhor de guerra de
motocicletas. Ela se tornará general de Immortal Joe.
Com
“Estrada da Fúria”, de 2015, George Miller superou até a mais alta expectativa
dos fãs de Mad Max ao fazer, trinta anos depois, uma terceira continuação.
Criou um faroeste movido a gasolina e ao som de roncos de motores, guiados por
personagens insanos. Recebeu seis Oscar, sendo o filme mais premiado da
cerimônia, não tendo recebido, porém, nem a estatueta de Melhor Filme, que foi
para “Spotlight – Segredos Revelados”, nem a de Melhor Diretor, que foi para
Alejandro González Iñarritu, de “O Regresso”.
O
filme australiano é ação do começo ao fim, com sua estória se passando num
breve intervalo de tempo, preenchido, em boa parte, por perseguições no
deserto.
Assim,
desde que anunciadas, as expectativas para “Furiosa” se situaram num patamar
elevado. Nove anos depois, a personagem de Charlize Theron, Furiosa, que “roubou”
o protagonismo de Mad Max em “Estrada da Fúria”, ganhava um filme próprio, com
estreia em Cannes.
“Furiosa:
Uma Saga Mad Max” mostra a saga desde a infância, ou o mais próximo disso, da
Imperatriz Furiosa, grande general de Immortal Joe, que no fim foge com o harém
dele para dar uma vida digna às moças, voltando ao lugar onde nasceu. Ela se
rebela contra o tirano que oprime o povo das Wastelands – o imenso deserto do
interior australiano. O filme começa com Furiosa (Anya Taylor-Joy, no papel que
em 2015 foi de Charlize Theron) sendo raptada, adolescente, por Dementus (Chris
Hemsworth). Daí, algo difere de “Estrada da Fúria” e dos outros Mad Max: o
lapso temporal. Enquanto os demais invocam uma caçada, uma perseguição, uma
batalha, aqui temos várias em um intervalo de pelo menos dez, quinze anos. Condensar
numa ação eletrizante não é fácil, tarefa que George Miller, roteirista e diretor,
tentou fazer. Resultado, o ritmo é eletrizante, mas não tem aquele senso de
urgência, de emergência, pois afinal sabemos o destino de Furiosa. Bem ou mal, “Furiosa:
Uma Saga Mad Max” saiu dentro do esperado, ou abaixo, dentro do que é possível
fazer em termos de spin-off ou prequel.
George
Miller sabe como dirigir cenas de ação, mesmo aos seus setenta e poucos anos.
Mas é inevitável que “Furiosa”, com todo o esforço, perca frente a “Estrada da
Fúria”, mesmo com mais combates, mais perseguições, tiros, mortes, veículos,
explosões, correspondendo a quase duas horas e meia de projeção. O centro de interesse
ficou mais diluído que em qualquer película da franquia, ou talvez superior
apenas ao terceiro filme, mas, ainda assim, vale a sessão.
Um
exemplo de como a diluição prejudicou a narrativa é a relação entre Furiosa e
Pretorian Jack (Tom Burke). Estariam eles apaixonados? Haveria mais que amizade
entre os dois? Seria apenas companheirismo entre guerreiros de alta hierarquia?
O filme não foca. Na verdade, Pretorian Jack, para mim, soou mais como um Mad
Max genérico.
O
maior vilão da vez é Dementus (Chris Hemsworth) que rapta Furiosa de um verde
vale no meio do deserto e, junto com sua gangue, desafia o poder de Immortal
Joe na Refinaria, na Cidade da Bala e mesmo na Cidadela. O personagem Dementus
é mais fanfarrão que amedrontador. Chris Hemsworth não me parece à altura do
papel, ter feito Thor tantas vezes – e um Thor mais próximo da comédia do que
se espera de um Deus – prejudicou-lhe em termos de atuação. Nem sempre dá para
levar o personagem Dementus a sério.
A
personagem Furiosa, quando criança, é feita por Alyla Browne. Anya Taylor-Joy
pegou um papel difícil, que é o de fazê-la no início da fase adulta. Temos que sua
interpretação, quase sem palavras, não tem a força da de Charlize Theron. Achei
a atriz sul-africana imbatível nesse aspecto. Se Anya Taylor-Joy vai se tornar
uma grande atriz, ou uma Milla Jovovich, não dá para dizer.
Cotação:
««
(l
-
Ruim; «- Regular; ««- Bom; «««- Muito bom; ««««- Ótimo; «««««- Excelente)


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