sexta-feira, 7 de junho de 2024

Furiosa: uma Saga Mad Max

Crítica de filme: Furiosa: Uma Saga Mad Max

 

Furiosa: A Mad Max Saga (2024). De George Miller. Com Anya Taylor-Joy e Chris Hemsworth. Ação/Aventura. 148 min.

 

Num futuro pós-apocalíptico, garota é sequestrada por senhor de guerra de motocicletas. Ela se tornará general de Immortal Joe.

 

Com “Estrada da Fúria”, de 2015, George Miller superou até a mais alta expectativa dos fãs de Mad Max ao fazer, trinta anos depois, uma terceira continuação. Criou um faroeste movido a gasolina e ao som de roncos de motores, guiados por personagens insanos. Recebeu seis Oscar, sendo o filme mais premiado da cerimônia, não tendo recebido, porém, nem a estatueta de Melhor Filme, que foi para “Spotlight – Segredos Revelados”, nem a de Melhor Diretor, que foi para Alejandro González Iñarritu, de “O Regresso”.


O filme australiano é ação do começo ao fim, com sua estória se passando num breve intervalo de tempo, preenchido, em boa parte, por perseguições no deserto.

Assim, desde que anunciadas, as expectativas para “Furiosa” se situaram num patamar elevado. Nove anos depois, a personagem de Charlize Theron, Furiosa, que “roubou” o protagonismo de Mad Max em “Estrada da Fúria”, ganhava um filme próprio, com estreia em Cannes.

“Furiosa: Uma Saga Mad Max” mostra a saga desde a infância, ou o mais próximo disso, da Imperatriz Furiosa, grande general de Immortal Joe, que no fim foge com o harém dele para dar uma vida digna às moças, voltando ao lugar onde nasceu. Ela se rebela contra o tirano que oprime o povo das Wastelands – o imenso deserto do interior australiano. O filme começa com Furiosa (Anya Taylor-Joy, no papel que em 2015 foi de Charlize Theron) sendo raptada, adolescente, por Dementus (Chris Hemsworth). Daí, algo difere de “Estrada da Fúria” e dos outros Mad Max: o lapso temporal. Enquanto os demais invocam uma caçada, uma perseguição, uma batalha, aqui temos várias em um intervalo de pelo menos dez, quinze anos. Condensar numa ação eletrizante não é fácil, tarefa que George Miller, roteirista e diretor, tentou fazer. Resultado, o ritmo é eletrizante, mas não tem aquele senso de urgência, de emergência, pois afinal sabemos o destino de Furiosa. Bem ou mal, “Furiosa: Uma Saga Mad Max” saiu dentro do esperado, ou abaixo, dentro do que é possível fazer em termos de spin-off ou prequel.

George Miller sabe como dirigir cenas de ação, mesmo aos seus setenta e poucos anos. Mas é inevitável que “Furiosa”, com todo o esforço, perca frente a “Estrada da Fúria”, mesmo com mais combates, mais perseguições, tiros, mortes, veículos, explosões, correspondendo a quase duas horas e meia de projeção. O centro de interesse ficou mais diluído que em qualquer película da franquia, ou talvez superior apenas ao terceiro filme, mas, ainda assim, vale a sessão.

Um exemplo de como a diluição prejudicou a narrativa é a relação entre Furiosa e Pretorian Jack (Tom Burke). Estariam eles apaixonados? Haveria mais que amizade entre os dois? Seria apenas companheirismo entre guerreiros de alta hierarquia? O filme não foca. Na verdade, Pretorian Jack, para mim, soou mais como um Mad Max genérico.

O maior vilão da vez é Dementus (Chris Hemsworth) que rapta Furiosa de um verde vale no meio do deserto e, junto com sua gangue, desafia o poder de Immortal Joe na Refinaria, na Cidade da Bala e mesmo na Cidadela. O personagem Dementus é mais fanfarrão que amedrontador. Chris Hemsworth não me parece à altura do papel, ter feito Thor tantas vezes – e um Thor mais próximo da comédia do que se espera de um Deus – prejudicou-lhe em termos de atuação. Nem sempre dá para levar o personagem Dementus a sério.

A personagem Furiosa, quando criança, é feita por Alyla Browne. Anya Taylor-Joy pegou um papel difícil, que é o de fazê-la no início da fase adulta. Temos que sua interpretação, quase sem palavras, não tem a força da de Charlize Theron. Achei a atriz sul-africana imbatível nesse aspecto. Se Anya Taylor-Joy vai se tornar uma grande atriz, ou uma Milla Jovovich, não dá para dizer.




Cotação: ««

(l - Ruim; «- Regular; ««- Bom; «««- Muito bom; ««««- Ótimo; «««««- Excelente)



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