terça-feira, 22 de novembro de 2022

O Padre

 

Crítica de filme: O Padre

Priest (Reino Unido, 1994). De Antonia Bird. Com Linus Roache, Tom Wilkinson, Robert Carlyle e Cathy Tyson. Drama/LGBTQIA+

 

Jovem padre vai a paróquia de Liverpool e começa a questionar sua fé e o conservadorismo da Igreja.



Meu Deus!!! Neste filme tem um padre fazendo sexo com outro homem!!!”

 

A frase acima foi das que mais marcou a obra quando do seu lançamento no longínquo ano de 1994. Lembro que foi um escândalo lançar um filme no qual um padre se deitava com outro homem. Oposto a isso, surgiu também uma atração que lhe deu visibilidade, surgindo forças centrípetas e centrífugas. Polêmicas, geralmente, levam a dois lados: o da repugnância e o da atração, muitas das vezes mais engendrados pela curiosidade.

Mais de vinte e cinco anos depois, percebe-se que essa polêmica, esse bá-fá-fá todo, é exagerado. Houve certo sensacionalismo, seja da imprensa, produtores e distribuidores. Porque o foco do roteiro é mais o conservadorismo e as contradições da Igreja Católica de fins do século XX. Os preceitos e normas católicos estão adaptados à atualidade? Como não será difícil para um padre, hoje, agir igual aos seus pares de quinhentos ou mil anos atrás, considerando que estão inseridos numa sociedade totalmente diferente? Para o filme dirigido por Antonia Bird a partir do roteiro de Jimmy McGovern, a atuação clerical está presa a normas e crenças defasadas.

Esse é o eixo central do filme. O padre Matthew Thomas (Tom Wilkinson), superior do jovem Padre Greg Pilkington (Linus Roache) na Paróquia de Liverpool, é um homem bastante ligado às teorias progressistas da igreja. Aquele mantém um relacionamento como se fosse casado com a governanta, quebranto o celibato. E o Padre Greg é gay, mas não abertamente.

É, pois, a crise da igreja católica o eixo de gravidade do filme, e não a homossexualidade de um padre. A parte da homoafetividade do jovem Padre Greg sequer é bem desenvolvida, mas deve-se relevar porque à época da produção não era fácil falar disso; era até perigoso. Hoje não parece assim. Não há nada particularmente escandaloso ou afrontoso na projeção.


Padre Greg e Padre Matthew Thomas no púlpito


Repetindo: mais que um filme LGBTQIA+, “O Padre” trata das incoerências da Igreja, que aprisionam tanto padres como fiéis a uma moral constantemente inadequada para a realidade atual. A homossexualidade de um e a quebra do celibato pelo outro são partes de um contexto maior. Destaque para seus atores, Linus Roache e Tom Wilkinson.

 

Cotação: ««

(l - Ruim; «- Regular; ««- Bom; «««- Muito bom; ««««- Ótimo; «««««- Excelente)


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