Crítica
de filme: O Padre
Priest
(Reino Unido, 1994). De Antonia Bird. Com Linus Roache, Tom Wilkinson, Robert
Carlyle e Cathy Tyson. Drama/LGBTQIA+
Jovem
padre vai a paróquia de Liverpool e começa a questionar sua fé e o
conservadorismo da Igreja.
“Meu
Deus!!! Neste filme tem um padre fazendo sexo com outro homem!!!”
A
frase acima foi das que mais marcou a obra quando do seu lançamento no
longínquo ano de 1994. Lembro que foi um escândalo lançar um filme no qual um padre se deitava com outro homem. Oposto a isso, surgiu também
uma atração que lhe deu visibilidade, surgindo forças centrípetas e centrífugas. Polêmicas, geralmente, levam a dois
lados: o da repugnância e o da atração, muitas das vezes mais engendrados pela
curiosidade.
Mais
de vinte e cinco anos depois, percebe-se que essa polêmica, esse bá-fá-fá todo, é
exagerado. Houve certo sensacionalismo, seja da imprensa, produtores e
distribuidores. Porque o foco do roteiro é mais o conservadorismo e as
contradições da Igreja Católica de fins do século XX. Os preceitos e normas católicos
estão adaptados à atualidade? Como não será difícil para um padre, hoje, agir
igual aos seus pares de quinhentos ou mil anos atrás, considerando que estão
inseridos numa sociedade totalmente diferente? Para o filme dirigido por
Antonia Bird a partir do roteiro de Jimmy McGovern, a atuação clerical está
presa a normas e crenças defasadas.
Esse é o eixo central do filme. O padre Matthew
Thomas (Tom Wilkinson), superior do jovem Padre Greg Pilkington (Linus Roache)
na Paróquia de Liverpool, é um homem bastante ligado às teorias progressistas da igreja. Aquele
mantém um relacionamento como se fosse casado com a governanta, quebranto
o celibato. E o Padre Greg é gay, mas não abertamente.
É,
pois, a crise da igreja católica o eixo de gravidade do filme, e não a homossexualidade
de um padre. A parte da homoafetividade do jovem Padre Greg sequer é bem desenvolvida,
mas deve-se relevar porque à época da produção não era fácil falar disso; era até perigoso. Hoje não parece assim. Não há nada particularmente
escandaloso ou afrontoso na projeção.
Padre Greg e Padre Matthew Thomas no púlpito
Repetindo:
mais que um filme LGBTQIA+, “O Padre” trata das incoerências da Igreja, que
aprisionam tanto padres como fiéis a uma moral constantemente inadequada para a realidade
atual. A homossexualidade de um e a quebra do celibato pelo outro são partes de um contexto maior. Destaque para seus atores, Linus Roache e Tom Wilkinson.
Cotação:
««
(l
-
Ruim; «- Regular; ««- Bom; «««- Muito bom; ««««- Ótimo; «««««- Excelente)


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