Crítica
de filme: Parasita
(Gisaengchung). Coréia do Sul, 2019. De Joon-ho Bong. Com Kang-ho Song, Woo Sik-Choi, Park So-Dam, Sun-Kyun Lee, Cho Yeo-Jong, Chang Yae-Jin e Lee Jeong-eun. Drama.
Rapaz de família pobre começa a dar aulas para garota de família rica. Logo fica de olho na riqueza dos pais dela.
O diretor Joon-Ho Bong já era conhecido e
renomado antes de “Parasita” (dirigiu “O Hospedeiro” e “Mother - A Busca Pela
Verdade”, entre outros). Agora, estourou – ganhou com ele nada mais nada menos
que a Palma de Ouro em Cannes, o Globo de Ouro de melhor filme
em língua estrangeira e os Oscar de filme, direção, roteiro original e filme em língua estrangeira. Em mais de noventa anos de Oscar, a grande premiação
do cinema, foi a primeira obra em língua não inglesa a conquistar seu prêmio
máximo.
O IMDB contabiliza para o filme trezentos e oito
vitórias e duzentos e setenta e uma indicações em premiações e festivais. Sucesso
de crítica sem precedentes, “Parasita” fez história não apenas pelo
reconhecimento especializado. O público também o adorou; sua nota de avaliação dos
usuários no IMDB é 8,5, com setecentos e noventa mil notas dadas, colocando-o na
34ª colocação.
Cabe ressaltar, porém, que o presente texto foi
escrito após Cannes e antes das vitórias no Oscar.
O então mais novo filme de Joon-Ho Bong trata de
muitas coisas, mas ressalto a hipocrisia. Da hipocrisia dos que são de baixo,
ou seja, são pobres, e dos que pertencem à classe alta. Da hipocrisia a partir
da desigualdade econômica.
Os hipócritas não deveriam nos surpreender - ou pelo
menos quem com a insiceridade já está acostumado, já que o hipócrita médio não
se comporta de forma compatível com o que diz - mas é incrível como o filme
surpreende e deixa o espectador, cada vez mais, abismado, pensando: “não
acredito que fulano foi/é/será capaz disso...” Sim, fulano será capaz. Haverá "sincericídio".
Temos uma família desprivilegiada e uma
privilegiada, como o cartaz acima retrata. Em outras palavras, um
núcleo pobre e um rico. Pessoas do primeiro se infiltram no segundo e passam a
trabalhar para ele, serem seus empregados – tutor, cozinheiro, motorista, babá
- usando artifícios nem um pouco éticos para conseguir os empregos e tirar uma “casquinha”
que seja, da riqueza.
Aí forma-se o parasitismo, ou melhor, uma forma de parasitismo. Carrapatos sugando um pouco do sangue de um cachorro, trepadeiras sugando parte da seiva de uma árvore, são formas parasitismo... É interessante como, aos poucos e a partir de certas ocasiões, aqueles que se consideram sugadores e oportunistas veem-se ao contrário, isto é, como hospedeiros. Não estão explorando, estão é sendo explorados. Isso fica muito claro, por exemplo, na cena em que o motorista vai empurrando o carrinho do supermercado conforme sua patroa faz as compras. Sua expressão diz tudo: que mulher é essa, que sequer pode empurrar um carrinho de compras? Por que eu que tenho que fazer isso?
A expressão de ódio de quem está atrás empurrando o carrinho, optei por esconder
A classe operária vai tomando consciência de
classe. Marx e Engels adorariam.
Se todos – pobres e ricos - são parasitas, eles
são parasitas de que? Do dinheiro, da riqueza, da mansão.
A casa-grande ampla, limpa, de cores claras e
decoração minimalista, de uma família, contrasta com a residência da outra
família, um cubículo escuro e todo bagunçado e porco, onde se empilham
embalagens de pizza.
Joon-Ho Bong toca no dedo da ferida, dá soco no
estômago, é visceral. Indo além, leva ao ápice confusão e complexidade que o
título da obra traz.
As pessoas do lado pobre dizem algo assim:
"é muito fácil você tratar bem os outros e sorrir quando se é rico",
ao referir-se aos patrões. Será que a riqueza e a pobreza são determinantes na
forma como se trata os outros? Nada. Hipocrisia (uma das muitas). Já os do lado
rico se dizem compreensivos e bondosos, mas não hesitam em pôr na rua seus empregados
sem qualquer cerimônia.
Cotação:
««««
(l
-
Ruim; «- Regular; ««- Bom; «««- Muito bom; ««««- Ótimo; «««««- Excelente)
muito bom, tive entendimento parecido
ResponderExcluir