quarta-feira, 30 de novembro de 2022

O Golpista do Ano

Crítica de filme: O Golpista do Ano

I Love You Phillip Morris (Estados Unidos, 2010). De Glen Ficarra e John Requa. Com Jim Carrey, Ewan McGregor, Leslie Mann, Rodrigo Santoro. Comédia / Drama.

 

Policial sofre acidente e quase morre. Depois, assume ser gay e se torna estelionatário.

Às vezes assistimos filmes ou séries sem estar no “mood” (humor) para tal. Nossa consciência está longe pensando nalguma coisa, certa preocupação nos afeta, estamos ansiosos, sonolentos, sem vontade de ver esse ou aquele gênero na ocasião, com vontade de fazer outra coisa que não ficar na frente de uma tela, ou, ainda, o problema pode estar na companhia errada. Situações assim, comuns a todos, afetarão o quanto gostaremos do que assistirmos. E mais, o quanto nos disporemos a apreciar a projeção.

Por isso é importante ter cuidado ao analisar uma obra nesses quebrantes. Esse foi o caso de “O Golpista do Ano”, que assisti sem vontade, e cujo tempo de projeção só me fez desgostar mais e mais do que via.

Jim Carrey é Steven Russel, um policial casado com mulher que sofre acidente de carro e após, se assume homossexual e passa a viver de fraudes e golpes. Dali em diante, ele mesmo diz, será uma “bichona”. Usará identidades e cartões de crédito falsos, se passará por advogado, financista etc. e procurará dar ao seu parceiro um alto padrão de vida, algo que o emprego de policial não possibilita. Preso, apaixona-se por um colega de presídio, chamado Phillip Morris (Ewan McGregor), condenado “light” por fraude contra seguro, e os dois começam um relacionamento. Um verdadeiro amor.

Para começar, Jim Carrey tem os mesmos trejeitos no rosto e no corpo de outras interpretações suas. Em nenhum momento ele me pareceu um homossexual; o ator interpreta como se estivesse numa de suas comédias usuais, escrachadas, cheia de caras, bocas e andar disforme. Sua química com Ewan McGregor – que é esforçado, e só – é inexistente. Não rola química, física, matemática etc. em outras palavras.

Já bastasse o título original (em livre tradução “Eu Te Amo Phillip Morris”) ter sido mutilado para “O Golpista do Ano”, vemos a encrenca que é um título que fala de amor verdadeiro de um completo picareta gay por outro, não ter química de amor/paixão avassaladora. Nem de comédia, pois os parcos momentos são de riso amarelo. O roteiro, assinado pela dupla de diretores, não se decide entre drama, comédia, aventura, amor LGBTQIA+. Dá errado em todos esses gêneros a que se propõe, de toques de drama a cenas de perseguição policial.

A saga de golpes, prisões e escapadas do personagem principal é mal contada. Inspirada em fatos reais, revela artimanhas pueris, muitas vezes difíceis de engolir.

Rodrigo Santoro faz um pequeno papel; não se compromete em sua atuação. Mas da mesma forma que se dá com Ewan McGregor, não gera química como par romântico com Jim Carrey. Um exemplo de atuação gay de um comediante, não afetada, mas não de todo discreta, é a de Robin Willians em “A Gaiola das Loucas”. Ele e Nathan Lane estão ótimos, fazem uma super dupla. Pudera, além do talento de ambos, a direção é do mestre Mike Nichols.

Segue o trailer:


Cotação: l

(l - Ruim; «- Regular; ««- Bom; «««- Muito bom; ««««- Ótimo; «««««- Excelente)

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