Crítica de filme: Gremlins 2: A Nova Geração
Gremlins
2: The New Batch (Estados Unidos, 1990). De Joe Dante. Com Zach Galligan, Phoebe
Cates, John Glover, Robert Prosky, Haviland Morris, Dick Miller, Christopher
Lee e Gedde Watanabe. Comédia/Fantasia/Terror.
Gizmo
é acidentalmente molhado e gera terríveis monstrinhos que tomam arranha-céu
de Nova Iorque.
Nomeei “três grandes”, que são os três melhores filmes que considero já ter visto na minha vida. Ainda que venha a ver outros de que goste mais – e isso, de fato, já aconteceu e decerto espero, voltará a acontecer -, considero essa lista definitiva. Definitiva, mas enquanto existe. Pode parecer paradoxal essa ideia, mas é só impressão, pois ela tem sua lógica e está num contexto próprio, que estou explicando. A lista dos “três grandes” poderá ser refeita ou desfeita a qualquer momento, mas atualmente, é perfeitamente válida, e a considero imexível até segunda ordem. Por exemplo, ela não inclui “Mad Max – Estrada da Fúria”, mas poderia incluir (ou não?!), essa película maravilhosa assistida posteriormente à definição dos “três grandes” e que considero tudo de bom.
Portanto,
refletindo um pouco, resolvi mexer na lista imexível. Não tirando nenhum, mas
incluindo um filme visto antes dela e que não estava lá por puro preconceito.
Explico. Comecei a me interessar mais por filmes a partir dos quinze anos de
idade, e os anos de 1995 e principalmente, 1996 e 1997, foram um divisor de
águas na minha relação com o cinema. Foi aí que a criança foi dando lugar a um
adulto, foi aí que, por assim dizer, fui “amadurecendo” para o cinema como uma
criança vai se tornando adolescente para enfim se transformar num adulto. O
período de 1995 a 1997 foi decisivo no meu percurso de cinéfilo.
Até
essa época, meu filme preferido era “Gremlins 2: A Nova Geração”, de 1990.
Excluí ele da lista dos melhores por acreditar que fosse um filme da minha
época infanto-juvenil no cinema, que deveria então dar lugar a uma vida mais
adulta, mais “séria”. Ledo engano que, agora, corrijo. Revi a continuação do
primeiro “Gremlins” em 2021 e desfiz o erro. Os bichinhos loucos desvairados e
malvados são um clássico do cinema independente da idade do espectador; não
são, pois, um filme exclusivamente para crianças e adolescentes. Justiça seja
feita, a obra tem qualidades inúmeras e é adorado não apenas por mim, mas por
uma legião de crianças, jovens, adultos, idosos e atores, produtores,
diretores, roteiristas, cineastas enfim, e críticos de cinema. Eu não estou
sozinho em achar excelente o segundo filme dos bichinhos. A produção é amada
mundialmente.
Uma
divisão entre filmes “sérios” e “não-sérios”, ademais, soa pernóstica,
academicista, excludente.
Portanto,
“Gremlins 2: A Nova Geração”, integra-se a “Os Sete Samurais”, “Nós que nos
Amávamos Tanto” e “Os Guarda-chuvas do Amor”, transformando o terceto num
quarteto.
Vejamos o porquê.
Gizmo
acima e à direita; à esquerda um gremlin do mal depois que ele é molhado
“Gremlins 2: A Nova Geração” é exceção da regra de que o segundo filme é inferior ao primeiro, como ocorre com “O Poderoso Chefão”, “Mad Max 2: A Caçada Continua” e “O Império Contra-ataca”, entre outros. Agora, a ação se passa num moderno edifício de negócios de Nova Iorque. Gizmo é acidentalmente molhado e gera gremlins que põem o edifício de cabeça pra baixo e ameaçam a metrópole. A tecnologia futurista e “diz-que-perfeita” do empreendimento capitalista viram contraponto à fofura e artesanato dos mogwai*, bem como à anarquia/bagunça/desvairamento dos gremlins. Estes se transformam em gremlim elétrico, gremlim intelectual, gremlim tomate, gremlim aranha, morcego etc. As possibilidades dos gremlins são enormes e o filme aproveita muito bem isso. O ritmo nunca esmorece: é ação, bagunça, comédia e um pouco de terror desde o começo. Tudo sob a icônica trilha sonora de Jerry Goldsmith.
Tem até noiva gremlim
Para evitar
que Gizmo dê origem a outros gremlins, e que um gremlim dê origem a outros
gremlins, isto é, que haja um desastre, é preciso duas coisas: eles não podem
se molhar e nem serem alimentados depois da meia-noite. A outra regra de ouro
é: eles não toleram a luz do sol, ela os mata.
E é isso que acontece,
como vimos, pois novamente Gizmo fica sob o cuidados do meio atrapalhado mocinho
Billy Peltzer, que já lidou com Gizmo e os monstrinhos no primeiro filme.
Joe Dante é o
diretor e Charlie Haas o roteirista. Joe Dante havia dirigido o primeiro filme
de 1984, roteirizado por Chris Columbus. Trata-se de um grande diretor cujo
talento não foi devidamente reconhecido, tendo dirigido, entre outros, “Grito
de Horror” (1981), “No Limite da Realidade” (1983), o primeiro “Gremlins”
(1984) e “Pequenos Guerreiros” (1998).
Interessante é
“Gremlins” dialogar com outros filmes, como, “Rambo”, primeiro com Gizmo
assistindo o filme e depois na cena em que ele coloca uma faixa vermelha na
cabeça, se arma com arco e flecha – digo, clipe e fósforo - e se vinga. Dialoga
também com “Robocop 2”, musicais, filmes de gângsteres, salas de cinema etc.
Hoje, Gizmo e os gremlins são ícones do cinema e figuras pop reconhecidas,
mesmo quando não se consegue associá-los ao filme.
A seguir o trailer do filme e a música-tema interpretada pela orquestra sinfônica dinamarquesa
Cotação:
«««««
(l
-
Ruim; «- Regular; ««- Bom; «««- Muito bom; ««««- Ótimo; «««««- Excelente)
Não consigo imaginar como um bichinho tão dócil como Gizmo pode gerar uns “diabinhos” rsrs. Assisti Gremlins pela primeira vez em 2021 por indicação de um amigo (o autor deste blog) e como o próprio texto fala, é um filme que agrada a todos os públicos sem sombra de dúvidas.
ResponderExcluirNão costumo me agradar de filmes mais antigos mas esse me ganhou. Minhas cenas favoritas são a da noiva Gremlin beijoqueira, convidando por livre espontânea pressão um dos integrantes humanos a casar-se com ela e também, a cena de um Gremlin que bebe uma mistura química e se transforma em um gênio.