domingo, 13 de novembro de 2022

Parasita


Crítica de filme: Parasita

(Gisaengchung). Coréia do Sul, 2019. De Joon-ho Bong. Com Kang-ho Song, Woo Sik-Choi, Park So-Dam, Sun-Kyun Lee, Cho Yeo-Jong, Chang Yae-Jin e Lee Jeong-eun. Drama.

Rapaz de família pobre começa a dar aulas para garota de família rica. Logo fica de olho na riqueza dos pais dela.



O diretor Joon-Ho Bong já era conhecido e renomado antes de “Parasita” (dirigiu “O Hospedeiro” e “Mother - A Busca Pela Verdade”, entre outros). Agora, estourou – ganhou com ele nada mais nada menos que a Palma de Ouro em Cannes, o Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira e os Oscar de filme, direção, roteiro original e filme em língua estrangeira. Em mais de noventa anos de Oscar, a grande premiação do cinema, foi a primeira obra em língua não inglesa a conquistar seu prêmio máximo.

O IMDB contabiliza para o filme trezentos e oito vitórias e duzentos e setenta e uma indicações em premiações e festivais. Sucesso de crítica sem precedentes, “Parasita” fez história não apenas pelo reconhecimento especializado. O público também o adorou; sua nota de avaliação dos usuários no IMDB é 8,5, com setecentos e noventa mil notas dadas, colocando-o na 34ª colocação.

Cabe ressaltar, porém, que o presente texto foi escrito após Cannes e antes das vitórias no Oscar.

O então mais novo filme de Joon-Ho Bong trata de muitas coisas, mas ressalto a hipocrisia. Da hipocrisia dos que são de baixo, ou seja, são pobres, e dos que pertencem à classe alta. Da hipocrisia a partir da desigualdade econômica.

Os hipócritas não deveriam nos surpreender - ou pelo menos quem com a insiceridade já está acostumado, já que o hipócrita médio não se comporta de forma compatível com o que diz - mas é incrível como o filme surpreende e deixa o espectador, cada vez mais, abismado, pensando: “não acredito que fulano foi/é/será capaz disso...” Sim, fulano será capaz. Haverá "sincericídio".


Temos uma família desprivilegiada e uma privilegiada, como o cartaz acima retrata. Em outras palavras, um núcleo pobre e um rico. Pessoas do primeiro se infiltram no segundo e passam a trabalhar para ele, serem seus empregados – tutor, cozinheiro, motorista, babá - usando artifícios nem um pouco éticos para conseguir os empregos e tirar uma “casquinha” que seja, da riqueza.

Aí forma-se o parasitismo, ou melhor, uma forma de parasitismo. Carrapatos sugando um pouco do sangue de um cachorro, trepadeiras sugando parte da seiva de uma árvore, são formas parasitismo... É interessante como, aos poucos e a partir de certas ocasiões, aqueles que se consideram sugadores e oportunistas veem-se ao contrário, isto é, como hospedeiros. Não estão explorando, estão é sendo explorados. Isso fica muito claro, por exemplo, na cena em que o motorista vai empurrando o carrinho do supermercado conforme sua patroa faz as compras. Sua expressão diz tudo: que mulher é essa, que sequer pode empurrar um carrinho de compras? Por que eu que tenho que fazer isso?

A expressão de ódio de quem está atrás empurrando o carrinho, optei por esconder

A classe operária vai tomando consciência de classe. Marx e Engels adorariam.

Se todos – pobres e ricos - são parasitas, eles são parasitas de que? Do dinheiro, da riqueza, da mansão.

A casa-grande ampla, limpa, de cores claras e decoração minimalista, de uma família, contrasta com a residência da outra família, um cubículo escuro e todo bagunçado e porco, onde se empilham embalagens de pizza.

Joon-Ho Bong toca no dedo da ferida, dá soco no estômago, é visceral. Indo além, leva ao ápice confusão e complexidade que o título da obra traz.

As pessoas do lado pobre dizem algo assim: "é muito fácil você tratar bem os outros e sorrir quando se é rico", ao referir-se aos patrões. Será que a riqueza e a pobreza são determinantes na forma como se trata os outros? Nada. Hipocrisia (uma das muitas). Já os do lado rico se dizem compreensivos e bondosos, mas não hesitam em pôr na rua seus empregados sem qualquer cerimônia.


Cotação: «««««

(l - Ruim; «- Regular; ««- Bom; «««- Muito bom; ««««- Ótimo; «««««- Excelente)


Um comentário:

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